domingo, 6 de agosto de 2017

Às vezes, a gente vira ostra

“Às vezes, a gente vira ostra, não por vontade, mas para se proteger. É que o mundo nem sempre está preparado para lidar com as nossas emoções, então acabamos escondendo-as debaixo do peito, por trás de um sorriso, e disfarçando olhos marejados com um ou outro bocejo no meio das conversas. Preferimos calar, pois, se falarmos, o outro vai precisar ouvir. E nem todo mundo interpreta as coisas da melhor forma possível.
Violão, risadas, conhecidos em círculo, e eu me vi confortável para falar da minha insônia. De que não andava dormindo bem, que a ansiedade me despertava mais do que café forte passado na hora. No instante seguinte, no meio de algumas identificações, a frase cortante – quando estiver sem sono, passa lá em casa para lavar a louça, que rapidinho você dorme – e eu preferia nunca ter dito nada.
O pior das opiniões é que elas, na maioria das vezes, partem de pessoas que desconhecem os assuntos. No caso da ansiedade, a maioria dos falastrões não sabem sequer os danos que ela traz, mas se acham sábios demais para ficarem calados. Precisam meter o bedelho na insônia alheia, na confusão, no medo. E aí, amigo, o que era para soar como um desabafo seguido de um acolhimento, vira julgamento seguido de uma sentença – você é dramático demais. O pior, sou mesmo, mas isso não diz respeito a quem nem sequer sabe muito sobre mim, além do meu nome e um ou dois gostos pessoais.
Muitas vezes, diante de situações como esta, agia feito a ostra atacada – produzia uma pérola – que me entalava a garganta e acabava somatizando ainda mais sintomas. Mas hoje, agora, tenho aprendido que nem todo mundo é meu amigo, mas que eles, os de verdade, existem. Que a esses eu posso contar todos os meus problemas. A eles eu posso entregar a minha versão mais honesta sem o pavor de desagradar.
No fim, este texto é só para agradecer. Obrigado a vocês, amigos, que, mesmo quando nem eu mesmo sei o que fazer, estendem as mãos e me ajudam a descobrir que o caminho sempre é cuidar de mim. Das minhas emoções. E, posso garantir, a alegria sempre está presente quando nós estamos juntos. Ela preenche todos os espaços que, quando a solidão me ganha, são saciados de angústia. Que bom que tenho com quem dividir as levezas da vida, ainda que, às vezes, ela me pese os ombros.” 
-Matheus Rocha

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